Será que as pessoas escutam ou elas estão apenas prontas para responder? Em muitos momentos percebemos que os processos de diálogo estão muito distantes da compreensão e da escuta atenta, e nessa momento surge uma questão: como escutar o outro sem se desvalidar?

O que o outro tem a dizer vai além de palavras, é importante estar atento aos detalhes e as nuances. Por isso escutar o que a outra pessoa está expressando é um ato de cuidado. Dedicar tempo ao outro é também uma forma de respeitar o espaço e a forma como cada um enxerga a vida. Qual foi o momento em que você percebeu que estava escutando de verdade, tanto a si como o outro?

O processo de amadurecimento emocional contribui muito para uma escuta atenta, que observa o outro nos detalhes e que percebe o outro enquanto narra a sua história.

E ao contexto social? Se levarmos em conta o que está ao nosso redor pode-se perceber que existem muitas influências tanto do comportamento como percebemos a realidade. Uma escuta que ignora o contexto social pode gerar violências e negligências por reforçar alienação e estereótipos. E fica uma reflexão "A quem interessa o que tenho a dizer? E a quem interessa me manter alienado à realidade?" Dessa forma, escutar também é uma forma de se vulnerabilizar.

Nessa troca de interesse humano, talvez não exista uma resposta concreta sobre se desvalidar e se anular enquanto escuta, pois cada um sente a sua maneira. O que podemos refletir é sobre os conceitos enrijecidos que temos da nossa forma de pensar, dar espaço para o que o outro me diz e fortalecer nossa neuroplasticidade que é a capacidade de fazer novas ligações neurais através das trocas e diálogos. Garantindo a capacidade de cuidado que é proporcionado através da escuta.

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